A história da Dragões da Real

1985

Na década de 1970, o São Paulo FC possuía várias torcidas organizadas, como a TUSP – Torcida Uniformizada do São Paulo (primeira torcida organizada do país, fundada na década de 1940), Independente, Força Total, Juventude Tricolor, Pantera Tricolor, Caveira Tricolor, Dragões do Mais Querido, Real Força Inflamante Tricolor e Coração Tricolor.

Em 1979, as três  últimas citadas resolveram se unir. A ideia inicial era de se criar um novo nome, como Torcida Jovem Tricolor. Entretanto, a nova diretoria chegou no consenso de manter o nome “DRAGÕES” (de Dragões do Mais Querido) unindo ao “REAL” (de Real Força Inflamante Tricolor) acrescentando o “TORCIDA JOVEM” ao final. Estava então criada a DRAGÕES DA REAL TORCIDA JOVEM.

O nome “DRAGÕES” foi mantido por ser considerado um animal místico e também devido ao grande número de associados de origem oriental (os orientais possuem forte ligação com os dragões). “REAL” foi mantido por estar associado à característica diferenciada da torcida são-paulina. “TORCIDA JOVEM” para atender a ideia do novo nome.

No início, a camisa oficial da Torcida era o uniforme nº1 do SPFC com o nome da entidade bordado com letras pretas nas costas. O grande diferencial da Torcida, ou seja, as hoje tradicionais camisetas vermelhas, surgiu em 1981.

Entre 1979 e 1984, outras torcidas foram se unindo a Dragões, dentre elas podemos citar a Pantera Tricolor, Garra Tricolor e Torcida Jovem Atuante Tricolor.

Em 1982, foi fundada a Torcida Força Jovem do Mais Querido. Até 1984, duas outras torcidas se uniram à Força Jovem, a Vulcão Tricolor e Garotos do Tricolor.

Dragões em 1985

A Dragões da Real foi fundada em 15 de junho de 1984 a partir da fusão de duas torcidas tricolores, a Dragões da Real Torcida Jovem e a Força Jovem Mais Querido, duas torcidas que tinham o mesmo ideal, apoiar sempre o São Paulo FC acima de qualquer coisa, estando ele como e onde estiver.

Os primeiros jogos foram acontecendo e lá estava a Dragões da Real em todos, mostrando sempre muita garra e amor pelo São Paulo. Em 1985, veio o primeiro título paulista comemorado pela Dragões e, com isso, a torcida conquistou ainda mais força. Com apenas um ano de fundação, a Dragões já era uma das maiores torcidas do São Paulo.

O espaço fôra conquistado e vieram mais dois títulos: o brasileiro em 1986 e o paulista em 1987. Em 1986, a Dragões começava a se destacar e ficar conhecida por todo o Brasil e, só naquele ano, mais de mil são-paulinos se associaram, tornando a Dragões uma da maiores torcidas organizadas do país. O auge foi a final do campeonato brasileiro contra o Guarani, quando a torcida levou quase 2 milsócios para Campinas.

Em 1987, a torcida continuou crescendo, renovou as bandeiras, faixas e instrumentos musicais e passou a possuir um patrimônio de dar inveja em muita torcida. As bandeiras se destacavam na arquibancada qualquer que fosse o jogo, sempre foram as mais bonitas, a criatividade e a vontade em crescer sempre foi a “arma secreta” da Dragões.

O ano de 1988 não foi dos melhores para o nosso Tricolor e os problemas começaram a surgir. O interesse dos associados pela torcida diminuiu e a entidade passou por muitos problemas, culminando com a perda da sede da Cásper Libero.

Morumbi em 1992

No final de 1990, um pequeno grupo de associados resolveu dar a volta por cima e começar tudo da estaca zero. Uma nova diretoria foi eleita, deu-se início a um recadastramento no quadro de associados e tudo começava novamente, idéias foram lançadas e o trabalho foi iniciado.

Em novembro de 1992, a Dragões adquiriu a sede da Prestes Maia, onde está até hoje. Em 1994, abrimos nosso belo bandeirão pela primeira vez nas arquibancadas do Morumbi. O nosso objetivo foi alcançado, colocamos a Dragões de volta à posição de uma das maiores torcidas do futebol paulista e, atualmente, o São Paulo FC é o único clube que pode contar com pelo menos duas torcidas realmente grandes.

No início da década de 90, a torcida publicou o Jornalzinho da Dragões, cuja maior alegria foi conseguir uma Entrevista Exclusiva com Mestre Telê Santana, que de quebra ainda posou pra fotos com o boné da Dragões.

Em agosto de 1995, o lamentável incidente ocorrido no estádio do Pacaembu resultou em uma portaria da Federação Paulista de Futebol, que com o apoio do Ministério Público e da Polícia Militar do Estado de São Paulo, impediu a entrada de faixas, bandeiras e uniformes que identificassem as torcidas organizadas nos eventos esportivos no estado de São Paulo. Essa proibição acabou de certa enfraquecendo todas as torcidas organizadas paulistas.

Entretanto, em 1999, um grupo de abnegados associados da Dragões resolveu novamente reerguê-la. Nesta época, a torcida se identificava nos estádios paulistas com faixas e camisetas com os dizeres “Uma vida de amor ao São Paulo FC”.

27 de fevereiro de 1994. Essa data, sem dúvida, sempre fará parte da história da Dragões, pois nesse dia estreamos nosso bandeirão, no Morumbi. Muitas pessoas podem achar besteira darmos tanta importância para esta data, mas, com certeza, essas pessoas nem imaginam as dificuldades e os problemas que enfrentamos para confeccioná-lo.

No início, o problema era dinheiro para comprarmos o tecido, que não era pouco, por isso, resolvemos pedir a colaboração aos associados e enviamos mais de 1.000 cartas. O resultado foi aparecendo, ainda que lentamente, e começamos a receber cartas que continham dinheiro e frases de incentivo e empolgação pela idéia. Nosso primeiro obstáculo foi ultrapassado, já tínhamos os 2.500 m2 necessários para a confecção de nossa bandeira gigante.

O próximo passo era conseguir as tintas e, mais uma vez, foi possível contar com a solidariedade de nossos associados e torcedores do SPFC. Já tínhamos o pano e o dinheiro para as tintas, faltava apenas o desenho, que foi escolhido entre muitos que nos foram enviados.

Agora era só arregaçar as mangas e começar a trabalhar, o que não assustava ninguém, pelo contrário, não víamos a hora de começar. Levamos três dias para traçar o desenho e mais cinco para pintá-lo. Foram oito dias de trabalho exaustivo debaixo de um forte sol, sem ao menos pararmos para comer. Depois de tudo terminado, a alegria se misturou com ansiedade de ver chegar o dia da estréia. O dia tão esperado chegou, a expectativa era grande, e quando vimos por sobre nós aquela enorme bandeira, esquecemos de tudo!

Libertadores 2004

As dificuldades, o cansaço e toda ansiedade que antes se encontravam em nós foram transformados em alegria, emoção e orgulho, pois podemos dizer que apesar de nosso bandeirão não ser o maior, é sem dúvida nenhuma o mais bonito e tem um valor que nenhum outro tem, pois foi conseguido através da união e vontade de todos. Não tivemos patrocínio de nenhuma empresa e nem de político, nosso bandeirão foi patrocinado pelo amor e pela união que ficou provado mais uma vez, são marcas registradas de nossa torcida.

Infelizmente, porém, na reforma do Morumbi acontecida no final da década de 90, o bandeirão foi irremediavelmente avariado.

22 de junho de 2005. Mais de 11 anos depois da estréia do primeiro bandeirão e uma semana depois de completar 21 anos de vida, a Dragões abria finalmente seu segundo bandeirão no Morumbi. O jogo escolhido não poderia ser mais emocionante: o Tricolor venceu os argentinos do River Plate por 2×0, em plena semifinal da Copa Libertadores.

Mais uma vez, foi uma verdadeira batalha de um ano inteiro para concretizar o sonho do segundo bandeirão. Começamos em 2003 uma campanha para levantar fundos para fazer o segundo bandeirão, que pretendíamos estrear na Libertadores de 2004. Infelizmente, o dinheiro arrecadado não foi suficiente e tivemos que adiar o sonho.

A Dragões trabalhou muito — e sem fazer alarde! — para conseguir concretizar o segundo bandeirão. No primeiro semestre de 2005, a diretoria da torcida correu atrás de patrocínio e contou também com o inestimável apoio (inclusive financeiro) de alguns conselheiros para levantar a verba necessária.

E foi assim, sem fazer barulho, mas com muito empenho, que a Dragões fez a estréia de seu segundo bandeirão. Mais uma dia inesquecível de uma vida de amor ao nosso querido SPFC.

Em 2009, a Dragões fez seu terceiro bandeirão. Não tão grande quanto os outros dois anteriores, mas justamente por ser menor pode ser levado a mais jogos, mesmo os que tenham pouco público. O terceiro bandeirão da Dragões foi feito também com muito esforço por parte da diretoria, trabalhando em conjunto com os associados.

Em 2010, a Dragões investiu diferente e fez um bandeirão-camisão, que imita a camisa retrô da Dragões nos anos 1980. Desde então, anualmente a torcida confecciona um novo bandeirão para levar aos estádios.

Apesar de todas as dificuldades, esse amor é eterno.

2016
Libertadores 2016