Dia de clássico no Morumbi: a preparação da Dragões

A imprensa adora passar uma imagem sensacionalista sobre as torcidas uniformizadas e ajuda a perpetuar um preconceito infantil e desinformado contra entidades que existem única e exclusivamente para extravazar a paixão de torcedores fanáticos por seu clube de futebol de coração. Todo final de semana os playboys trocam tiros nas casas noturnas do bairro paulistano de Jardins, mas ninguém fala em fechar as casas bancadas pela endinheirada elite paulistana.

Mas é só haver algum desentendimento entre torcedores de futebol e as manchetes explodem com todo tipo de absurdos e mentiras.

E é essa mesma imprensa que jamais divulga nenhuma ação social das torcidas uniformizadas, ainda que todo ano elas arrecadem toneladas de alimentos, brinquedos e agasalhos para ajudar as pessoas mais carentes. Diante desse cenário, decidimos mostrar os bastidores de como funciona toda a logística de uma torcida uniformizada em dia de um “clássico de risco”, como define a Polícia Militar.

[perfectpullquote align=”full” bordertop=”false” cite=”” link=”” color=”” class=”” size=””]Ao contrário do que muita gente imagina, existe todo um planejamento antes de um jogo “grande” para evitar qualquer tipo de problema com torcedores rivais.[/perfectpullquote]

Então vamos ver como foi que tudo ocorreu antes, durante e depois da partida entre SPFC x Corinthians, no dia 27/1/2008, no Morumbi.

No sábado, 26 de janeiro, a diretoria da Dragões da Real convocou os responsáveis por sub-sedes e núcleos de bairros para um churrasco na sede da torcida, no centro da capital paulista. A reunião foi aberta e qualquer associado podia participar. Num clima descontraído, movido a cerveja e churrasco, a diretoria discutiu com todos a logística para o jogo do dia seguinte. Foi expressamente recomendado que todos viessem para o centro da cidade para seguirem juntos no ônibus da torcida, com escolta da Polícia Militar. A idéia era evitar qualquer tipo de encontro e confronto com torcedores rivais, mantendo, como sempre, o nome da entidade bem distante de episódios de violência.

O futuro vereador Luciano Gama também participou da reunião e reiterou seu envolvimento na atual fase da Dragões, que cresce e se organiza cada vez mais. De quebra, também foi distribuído entre os associados a primeira edição do Jornal da Dragões, que voltou a sair depois de 15 anos e teve sua distribuição gratuita feita no dia seguinte, na entrada do Morumbi.

No domingo, dia da partida, a galera começou a chegar na sede por volta de 10h30 da manhã, apesar de os ônibus estarem agendados para sair apenas às 13h. Na praça em frente à sede, as novas bandeiras da Dragões foram abertas e agitadas, pra galera conhecer o material novo que estará nas caravanas fora do estado de São Paulo, uma vez que uma lei estadual proíbe a presença delas em estádios paulistas.

Em clima de confraternização entre amigos, todos ficaram conversando até a hora de subir no ônibus. Quando já estava todo mundo acomodado e o ônibus cheio, a polícia pediu para todos descerem para a tradicional revista. Depois de cerca de 15 minutos, todos foram liberados e o lotado ônibus da Dragões seguiu com a escolta rumo ao Morumbi, juntamente com os ônibus da Torcida Independente.

[perfectpullquote align=”full” bordertop=”false” cite=”” link=”” color=”” class=”” size=””]O caminho foi tranqüilo, com todos cantando músicas para o SPFC. Um ou outro torcedor rival encontrado no caminho era “saudado” por todos no ônibus, mas tudo na base do bom humor e sem nenhuma apologia à violência.[/perfectpullquote]

O ônibus chegou ao Morumbi e precisou parar cerca de 500 metros longe do estádio, por conta da grande concentração de pessoas nos arredores do templo tricolor. A família Dragões da Real desceu junta e chegou cantando a plenos pulmões na entrada da arquibancada laranja, onde se concentram as torcidas uniformizadas são-paulinas.

Todo mundo desceu e foi para a tradicional barraca onde se reúnem os associados da Dragões, para um lanche e uma cervejinha antes de entrar no estádio. Uma parte da galera foi designada para distribuir gratuitamente o Jornal da Dragões entre os torcedores que estavam na entrada do Morumbi. O jornal foi recebido com muitos elogios por todos, que faziam questão de parabenizar a organização e a paixão tricolor da família Dragões da Real.

Após passar toda a burocracia para entrar com a faixa e os instrumentos musicais da torcida junto à Polícia Militar, os primeiros membros da torcida colocaram a faixa na arquibancada e juntaram os instrumentos musicais na entrada do último túnel da arquibancada laranja.

[perfectpullquote align=”full” bordertop=”false” cite=”” link=”” color=”” class=”” size=””]Faltando 15 minutos para a partida começar, os “batuqueiros” começaram a aquecer e todos os integrantes da Dragões que já estavam na arquibancada laranja foram chamados de volta ao túnel. Lá, os gritos de guerra da torcida empolgaram todo mundo antes da entrada do nosso querido Tricolor em campo.[/perfectpullquote]

Depois de todo mundo aquecido, a Dragões entrou cantando na arquibancada laranja, fazendo muito barulho e mostrando que a paixão tricolor é mais forte que corporativismo de emissoras de TV para ajudar times pequenos da Segunda Divisão.

Quando a partida começou, a Dragões já estava completa e cantando sem parar o seu amor pelo SPFC. A galera não cansa nunca, canta do primeiro ao último minuto para incentivar a equipe. Gritos de guerra e algumas provocações ao adversário da Segunda Divisão foram inevitáveis, mas a Dragões procurou centralizar os coros apenas de incentivo ao SPFC, sem apologia à violência.

O jogo foi morno, mas tivemos a alegria de gritar gol aos 40 minutos do segundo tempo, quando o Imperador Adriano fez um daqueles golaços que a Itália já cansou de ver. Pena que as intenções do juiz eram outras e o gol foi anulado de forma inaceitável, frustrando a alegria são-paulina.

[perfectpullquote align=”full” bordertop=”false” cite=”” link=”” color=”” class=”” size=””]Após a partida, mesmo extremamente frustrada com a atuação de um árbitro muito suspeito, a família Dragões da Real saiu com a bateria fazendo barulho. Uma multidão incrível se aglomerava do lado de fora do estádio, enquanto o trânsito tentava fluir de uma forma minimamente aceitável.[/perfectpullquote]

Os ônibus das torcidas foram pra frente do estádio, todo mundo embarcou e os batedores da Polícia Militar foram abrindo caminho para a volta ao centro da cidade.

No caminho de volta, cansaço e frustração deixaram o lotadíssimo ônibus silencioso até chegar ao seu ponto final, em frente à sede da torcida. Na saída do ônibus, diversos integrantes se reuniram e rumaram para a quadra da Escola de Samba Dragões da Real, que se encontrava em fase de preparativos finais para o desfile de carnaval no Anhembi. A outra metade da torcida preferiu o descanso familiar e cada um seguiu seu destino.

Nenhuma briga e muita festa e alegria, apesar da frustração do resultado final ter sido “arranjado” pelo árbitro da partida. A Dragões planejou cada passo e organizou tudo com muita antecedência, conseguindo exatamente o resultado que esperava: nenhum tipo de conflito, nenhuma confusão. Só alegria de torcer pelo nosso querido SPFC.

A imprensa foi informada e sabia que todos os passos foram planejados para evitar qualquer conflito. Talvez exatamente por causa disso, nenhum jornalista chegou sequer perto das torcidas uniformizadas. Se não ia ter sangue, pra que eles iriam lá? Quem sabe agora eles vão ter que fazer plantão nas festas de playboys dos Jardins…

Confira as fotos desse dia: