Diego transforma “pilha” em liderança pra crescer no SPFC

A personalidade do zagueiro Diego Costa, do São Paulo, ao fazer uma marcação praticamente perfeita sobre Jô, do Corinthians, no último domingo, chamou a atenção. O garoto de 21 anos parou o experiente atacante de 33.

Essa forma de jogar sem sentir a pressão, porém, não é novidade para quem acompanha Diego desde sua formação como jogador de futebol. Nas categorias de base do São Paulo, o zagueiro tinha a liderança como principal característica. Não à toa foi capitão no sub-17 e no sub-20.

Em algumas ocasiões, a liderança se confundia com excesso de vontade, e a comissão técnica tinha que segurar a “pilha” do jovem para que ele não entrasse mais ligado nos jogos do que o necessário.

– Na realidade a gente trabalhou isso (a personalidade) não incentivando tanto, diminuindo, segurando ele um pouquinho, porque se a gente coloca pilha, como se diz na gíria, se apertar muito, ele passa um pouco do limite. E ele encontrou esse equilíbrio muito bem, pelo que estou vendo no profissional, e está se ajustando. Sempre foi valente e o capitão da equipe – disse Orlando Ribeiro, treinador do sub-20 do São Paulo e que trabalhou com Diego Costa no sub-17 e no sub-20.

Pessoas próximas ao jogador relatam que uma das principais coisas que ele trabalhou na base do São Paulo foi justamente o temperamento. O próprio jovem admitia que muitas vezes passava do ponto e isso o prejudicava. Hoje, admite que soube transformar o excesso de vontade em liderança.

E esse lado líder de Diego pôde ser visto não só dentro de campo contra o Corinthians, no último domingo, mas também fora dele. Na roda de conversa dos jogadores no vestiário, antes de subir para o gramado do Morumbi, o zagueiro tomou a palavra e recebeu os elogios do veterano Hernanes após o discurso:

Rapaziada, vamos ter concentração o jogo todo. Todo mundo se ajudando, ajudar o companheiro, dando moral o tempo todo e não deixar os caras jogarem. No nosso campo os caras não jogam. Todo mundo junto, é o que a gente precisa hoje, estar junto”, disse Diego Costa.

Quando chegou ao São Paulo, aos 15 anos, vindo do Grêmio Prudente, Diego Costa era zagueiro. No sub-17 do Tricolor se destacou na função, mas ao subir para o sub-20, o técnico Orlando Ribeiro passou a testá-lo como volante.

Para que ele obtivesse sucesso na nova função era preciso aperfeiçoar alguns fundamentos, como passe, domínio e noção de posicionamento. No entanto, nem sempre era muito fácil colocar isso na cabeça do garoto…

– Quando era passado para ele, ele não aceitava muito, mas a gente insistia que ele precisava melhorar o passe, melhorar o domínio… E ele foi melhorando, se ajustando e passou a jogar de volante no sub-20. Então eu acredito que jogar de volante na base ajudou bastante, e agora ele está colhendo os frutos e vai crescer mais ainda. Acredito que o que o Fernando Diniz precisar dele, ele vai corresponder – contou Orlando Ribeiro.

Diego subiu aos profissionais em 2019, com Cuca, e treinava tanto de volante quanto de zagueiro. Com Fernando Diniz, passou a ser utilizado definitivamente na zaga, ainda mais depois da lesão do companheiro Walce, no começo deste ano. Na pré-temporada, em Cotia, ele foi elogiado por Lugano, ex-zagueiro e um dos ídolos do São Paulo.

Com uma saída de bola mais qualificada pela experiência adquirida como volante no sub-20 – foi campeão da Copinha de 2019 – Diniz entendeu que o jogador seria fundamental na nova forma de jogar que ele pensou para a sequência do Brasileirão após um início irregular.

Com três jogos no time titular, Diego Costa vai se consolidando ao lado de Léo na defesa. O garoto de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, melhorou a saída de bola e vai caindo nas graças do torcedor são-paulino, acostumado com as revelações vindas da zaga.

Fonte: GE