Gabriel Sara mostra maturidade, supera as críticas e se destaca

Se você falasse para um são-paulino há pouco mais de 40 dias que Gabriel Sara seria um jogador indispensável para o São Paulo ainda nesta temporada, provavelmente ele diria que você estava louco.
 
Mas assim como o mundo, o futebol também dá voltas. E hoje, aqueles que criticavam duramente o garoto de 21 anos nas redes sociais devem estar pedindo desculpas, mesmo que à distância.
 
Não é exagero dizer que, ao lado de Brenner, Gabriel Sara é o melhor jogador em atividade no São Paulo atualmente. Ele dá dinâmica ao time e vem sendo decisivo, com passes precisos e, de vez em quando, marcando gols. Na última quarta-feira, diante do Fortaleza, ele participou dos três gols do empate em 3 a 3.
 
O atual momento, porém, era quase inimaginável no retorno do futebol no Brasil. O técnico Fernando Diniz promoveu a entrada de Sara na equipe titular na reformulação feita após o empate com o Bahia, na quarta rodada do Campeonato Brasileiro.
 
De lá para cá, ele não saiu mais, a não ser quando esteve suspenso, no jogo contra o Palmeiras, e por um problema estomacal, contra o Inter. Mas se dependesse de parte dos torcedores, essa sequência não seria dada. A paciência com o jogador após jogos ruins praticamente ficou esgotada, com direito a críticas nas redes sociais jogo após jogo.
 
O técnico Fernando Diniz, por sua vez, assumiu a responsabilidade e bancou a permanência de Sara na equipe mesmo com toda a pressão externa. Não apenas isso, como também tentou passar o máximo de confiança para que ele mostrasse seu potencial.
 
Em um vídeo publicado pela SPFCTV em setembro, Diniz apareceu cobrando Gabriel Sara em um treino para que ele não se importasse com as críticas:
 
– Não é pegar (a bola) desesperado, a torcida não vai te matar. Rede social não vai fazer nada com você – afirmou o treinador na ocasião.
 
Sara parece ter absorvido muito bem as falas de Fernando Diniz e, curiosamente após esse momento, deslanchou no São Paulo e se tornou peça fundamental no esquema de jogo proposto.
 
No clássico contra o Santos, pela 10ª rodada do Brasileirão, ele fez os dois gols do empate em 2 a 2 e ganhou o apelido nas redes sociais de “Mohamed” Sara. Uma alusão ao craque do Liverpool, Mohamed Salah. Ali iniciava a trajetória de um novo Gabriel.
 
O crescimento foi contínuo. Mesmo sem gols nos jogos seguintes, ele foi importante no sistema defensivo, apoiando na segunda linha de marcação, ou participando de jogadas de gols.
 
Na 14ª rodada, na vitória sobre o Atlético-GO, por exemplo, ele voltou a balançar as redes e participou dos outros dois gols na vitória por 3 a 0. Quando levou o terceiro cartão amarelo, tornando-se desfalque contra o Palmeiras, aquele mesmo “tribunal das redes sociais” que o criticou duramente, lamentou.
 
Esse movimento foi a prova da importância que Gabriel Sara passou a ter para o São Paulo.
 
 
Na última quarta-feira, no empate em 3 a 3 com o Fortaleza, Gabriel Sara novamente participou dos três gols com passes precisos. Dois deles, inclusive, de calcanhar, algo que encheu os olhos dos torcedores.
 
– O Sara foi ganhando confiança com o passar do tempo, um jogador muito completo, que além de participar da parte defensiva consegue fazer gols e chegar no ataque para dar assistência – disse Fernando Diniz após o duelo pela Copa do Brasil.
 
Repetindo a frase do início desse texto, sobre o mundo da bola dar voltas, é sempre arriscado apontar que jogador “A” ou “B” é craque ou algo do tipo. No entanto, é possível dizer com tranquilidade que a aposta de Diniz e o foco de Sara em não dar ouvidos ao que vinha de fora vão rendendo muitos frutos até aqui.
 
Fonte: GE