O que os candidatos pensam sobre ter Ceni como técnico em 2021?

Em dezembro, os conselheiros do São Paulo escolherão o presidente que irá comandar o clube pelos próximos três anos. Essa mudança no principal cargo diretivo do clube reabrirá as portas do Morumbi para Rogério Ceni.
 
O ex-goleiro jamais teve a condição de ídolo do clube colocada em dúvida, mas voltar a trabalhar no São Paulo é algo que ainda depende do fim da gestão de Carlos Augusto de Barros e Silva, o atual presidente.
 
Quando Ceni foi demitido do São Paulo em 2017, a relação entre o técnico e Leco se desgastou a ponto de ambos não considerarem mais a possibilidade de trabalharem juntos. Com o treinador, o Tricolor foi eliminado nas três competições mata-mata que disputou (Campeonato Paulista, Copa Sul-Americana e Copa do Brasil).
 
Esse racha se tornou uma barreira para que o ex-goleiro voltasse ao clube nos anos seguintes. No período, porém, as coisas mudaram bastante: desde então, o São Paulo teve sete treinadores, entre efetivos e interinos, enquanto Ceni constrói uma carreira promissora com bons resultados no Fortaleza – apesar da frustrante e rápida passagem pelo Cruzeiro.
 
O muro cairá com a eleição, quando os conselheiros Julio Casares e Roberto Natel se enfrentam pela cadeira de presidente.
 
Ceni é ídolo do Fortaleza, mas já indicou que ao final da temporada deve buscar outro desafio. Depois da conquista do título cearense, na semana passada, ele disse:
 
– Eu fico com medo é de não conseguir me despedir disso aqui com a casa cheia. Seria uma tristeza muito grande. A gente não sabe quando volta o público, mas seria a coisa mais triste para mim.
 
No São Paulo, o técnico Fernando Diniz se equilibra numa corda bamba há meses e não há, entre os candidatos a presidente, convicção de mantê-lo no time quando os torneios acabarem, em fevereiro.
 
As duas candidaturas observam Ceni a distância, afirmam jamais terem feito contato com o ex-goleiro e que isso não é debatido publicamente, mas tratam a possibilidade de convidá-lo de volta ao clube no futuro de formas diferentes.
 
Pessoas próximas a Casares têm convicção de que ele fará mudanças no departamento de futebol ao assumir, caso seja eleito. O gerente executivo Alexandre Pássaro e o diretor de futebol Raí deverão deixar o clube. Fernando Diniz não está nos planos para além do Brasileiro.
 
Nesse cenário, a expectativa é de que Ceni entre numa lista de desejos assim que o cargo de treinador estiver vago, ainda que se admita que o contexto do momento possa mudar essa análise.
 
Natel é mais cauteloso. O vice-presidente, que também se tornou desafeto de Leco e hoje milita na oposição, crê que Ceni se tornará uma opção óbvia ao clube no momento em que for preciso buscar um novo treinador, mas evita se estender além disso.
 
O candidato tem dito que não quer usar o nome de ídolos na campanha – uma referência ao fato de o rival ter anunciado a intenção de convidar Muricy Ramalho para ocupar cargo na diretoria de futebol.
 
Trata-se, até agora, do desejo dos dois candidatos, um deles o futuro presidente do São Paulo a partir de janeiro. Outro fator tão importante quanto nessa equação é o desejo do próprio Rogério Ceni, hoje em ascensão na carreira.
 
Ceni se aposentou dos gramados em 2015, passou 2016 estudando e aceitou o convite de iniciar a carreira de treinador justamente no São Paulo, em 2017. A relação durou seis meses e terminou quando o time somava seis jogos sem vencer e estava na zona de rebaixamento do Brasileiro.
 
O ex-goleiro estava insatisfeito no clube pelas mudanças constantes no elenco. Hoje, acredita que tenha sido usado em período eleitoral: Leco foi reeleito presidente em abril daquele ano e demitiu Ceni dois meses depois do pleito, apesar de seu plano prever o ídolo como personagem importante num projeto longo de mudança de identidade tricolor.
 
A saída não gerou traumas no treinador, mas há quem acredite que ele não está disposto a voltar ao clube tão em breve. Com uma carreira jovem e promissora, o momento do São Paulo, enforcado em dívidas e sobre enorme pressão pela falta de títulos, pode conter mais riscos do que benefícios.
 
Fonte: GE