Se Gomes fizer no SPFC o que fez no Botafogo…

A situação que Ricardo Gomes encontra no São Paulo é bem parecida com o teve que lidar em seu início de trabalho no Botafogo: ele pegou um time armado e na liderança da Série B (trabalho de René Simões) e realizou pouquíssimas mudanças. O dedo do treinador só pôde ser percebido na pré-temporada deste ano, quando participou diretamente da montagem do atual elenco.

O São Paulo não se encontra em situação tão confortável, mas já possui uma base de trabalho estabelecida por Edgardo Bauza. A diretoria são-paulina dará total respaldo ao comandante no que diz respeito ao time, mas buscava um profissional que se encaixasse no dia a dia do CT e pudesse se adaptar rapidamente ao time. Pelo que fez no Botafogo, Gomes se encaixa nesse perfil.

No Botafogo, Ricardo Gomes se mostrou fã do tradicional 4-4-2, com duas linhas de quadro bem definidas defensivamente. Sendo assim, fica clara sua preferência por armadores que sejam comprometidos com a marcação. No Botafogo, procurava por meias que sabiam jogar pelo lado de campo, mas a falta de opções fez o treinador testar novas opções.

No São Paulo, poderá contar com o peruano Cueva, que depois de atuar centralizado com Bauza passou a aparecer pelo lado esquerdo com André Jardine. O clube paulista ainda tem em Thiago Mendes outro meio campista com facilidade para atuar aberto – nesse caso, pelo lado direito. Wesley, Luiz Araújo e Michel Bastos são nomes que se encaixariam facilmente nesta preferência do treinador.

Foi apenas em 2016 que Ricardo Gomes passou a colecionar algumas críticas no Botafogo. Com a chegada de reforços no Botafogo, o treinador passou a querer encaixar todos em campo e muitas vezes abriu mão de um meio campo competitivo, o que sempre foi um dos pontos fortes da sua equipe. Em certos momentos, usou até mesmo o 4-2-4 – curiosamente o mesmo esquema utilizado por Rogério Micale na seleção olímpica.

O São Paulo não tem tantas opções no setor ofensivo: pelo menos até dezembro, a tendência é de que Ricardo seja forçado a manter um esquema com no máximo três homens de frente, como vinham fazendo Bauza e Jardine.

[UOL]