Vinda de Gomes é um teste pra diretoria

O São Paulo tem dogmas de gestão do futebol implementados pelos responsáveis do departamento. O treinador se adaptar à metodologia vigente no CT da Barra Funda ao invés de concentrar as atenções como grande estrela é um dos mandamentos.

Tal convicção foi lapidada no início da temporada. após conversas com os mais renomados como Bielsa e Sampaoli. Os cartolas avaliaram que seria equivocado o modelo tradicional no país, no qual normalmente concentra na figura de quem escala e posiciona os atletas a plena estruturação do time.

Queriam minimizar os prejuízos pelas saídas de técnicos. Afirmam que o vestiário é da diretoria, não do Bauza, por isso quase tudo continua igual. Avaliam que a chegada doutro treinador pode alterar ‘apenas’ a preparação e a proposta de futebol dentro dos gramados.

Os jogos restantes na temporada irão mostrar se conseguiram o que pretendiam. Mais que os resultados, o empenho dos atletas será a melhor referência. A manutenção ou o aumento da intensidade dirá que acertaram e o contrário pode ser avaliado mais como equívoco de quem gere a agremiação que do novo funcionário.

Ao escolherem Ricardo Gomes, os dirigentes foram coerentes com o que afirmam sobre o perfil do treinador. Honesto e nada marqueteiro, o ex-zagueiro dispensa a auto-promoção nas entrevistas. Prefere ser educado e gentil ao invés de apelar às frases fortes que caem nas graças de parte dos torcedores.

Nunca comprou a ideia de ser melhor que os outros seres humanos por exercer função para qual é generosamente remunerado, e tampouco é do estilo neo-boleiro. Noutros clubes e no Morumbi, mostrou ciência de qual papel deveria exercer.

Tem perfil de quem pensa em ganhar mais que nos louros proporcionados por resultados positivos.

“Temos que fazer a torcida se orgulhar do time. Recuperar a auto-estima”. Esse foi, provavelmente, o mandamento mais vezes mencionado por dirigentes no CT da Barra Funda e nas reuniões de Gustavo Vieira de Oliveira com o presidente da agremiação.

Serviu como uma das referências para as contratações de atletas, Bauza, Pintado, cobranças ao elenco e proposta de futebol.

Lugano foi trazido por isso, assim como Getterson barrado. Fizeram grande esforço para Maicon ser do elenco porque o zagueiro é importante para o time, havia a Libertadores e, acima de tudo, a torcida exigia. A chega do treinador que sucede o ‘hermano’ contrapõe a política vigente. A voz do povo e a voz de Deus foi esquecida nessa empreitada para supostamente fortalecer o futebol no Morumbi.

Em princípio, os cartolas imaginaram que teriam a aprovação da maioria. Mas, antes de fecharem, sabiam que a receptividade não era das melhores.

Monitoram as redes sociais e avaliaram que havia a rejeição, alguns conselheiros reclamaram, mas, dessa vez, mantiveram a ideia.

Ricardo Gomes é bom técnico. Quando cito o bom, falo para dentro, em tom moderado.

Conhece futebol, faz o arroz com feijão, e com simplicidade organiza os times.

Em regra, quando as agremiações contratam treinadores, é simples opinar porque conhecemos a filosofia de futebol e os atletas que terá disponíveis.  Os equívocos de avaliação são consequência do aprimoramento ou declínio do profissional que necessita resultados positivos.

Pode alterar e melhor tanto a metodologia quanto a proposta de futebol. Tite é o melhor exemplo. Nas entrevistas, o próprio afirmou que fez ajustes antes de chegar ao Corinthians e, na seleção, outros serão necessários.

Dessa vez, tenho dúvida. É difícil opinar se o São Paulo acertou com Ricardo Gomes para dar sequência ao que Bauza fez e agregar as virtudes coletivas fundamentais para conquistar a Copa do Brasil e fazer a campanha a altura do potencial do elenco no torneio de pontos corridos.

O ‘hermano’ montou sistema de marcação competitivo, deixou estrutura que deve ser aproveitada, mas conservadora, engessada na criação. O sucessor deve saber como o time atua e o que fazer para aumentar opções e a agressividade nas tentativas de o time do Morumbi conseguir os gols.

Não duvido e nem aposto que será capaz de cumpri tal missão futebolística. Para opinar com embasamento tenho que  observar ao menos o início do treinador para saber o que pensa do elenco.

[Blog do Birner/UOL]