Roger diz como vai encaixar Artur e abre o jogo sobre Lucas: ‘Muito a oferecer’
Técnico do São Paulo há menos de três semanas, Roger Machado já viveu um pouco de tudo no clube. O início foi “dos sonhos”, com duas vitórias e o time na liderança do Brasileirão. Depois, porém, vieram duas derrotas seguidas, uma delas em clássico com o Palmeiras, dentro do Morumbis, e a equipe “caindo na real”. Com isso, as primeiras críticas apareceram.
Às vésperas do retorno do Tricolor aos campos, em duelo com o Internacional, no Beira-Rio, nesta quarta-feira (1), Roger concedeu entrevista exclusiva à ESPN e destacou o “turbilhão” que vem vivendo na nova fase na carreira, e explicou a mudança tática que deseja.
“São 20 dias de muitas emoções. Tenho a impressão que estou há meses no clube. O grupo me acolheu muito bem. O grupo gosta de trabalhar e não foge do trabalho. Percebi a necessidade de ter mais profundidade, um pouco mais de uma vitória pessoal de 1 contra 1. A ideia da mudança nessa estrutura é justamente colocar jogadores em campo que também possam ter jogo associado, como os nossos jogadores têm, por ser uma característica do nosso time. Com a presença do Calleri na área, com o Luciano, mas tendo um pouco mais de jogo nas costas da defesa adversária para buscar mais oportunidades de gol, até para dar mais chance de gol aos nossos atacantes.”
Entre as novidades que o treinador vem promovendo no time está a entrada de Artur, atacante contratado no último dia de janela e que, apesar de pouco espaço no Botafogo, chega com bastante moral: “Com a chegada do Artur, a gente começa a ter em número jogadores que estejam em campo e peças de substituição, pelo lado esquerdo ou pelo lado direito. O Lucas joga prioritariamente pelo lado esquerdo, o Tetê também pelo lado esquerdo e também direito. O Ferreirinha usa só o lado esquerdo. O Artur consegue pelo lado direito. No Brasil, temos mais jogadores pelo lado esquerdo do que pelo direito. E o Artur é o especialista na função (pela direita). Isso me dá condição em característica para usar dois ou pelo menos um em campo que tenha uma vitória pessoal e que possa ter jogada de combinação, que possa somar ao ataque e ter peso maior na criação das oportunidades. O Artur é um jogador de vitória pessoal, mas não só do drible e 1 contra 1, mas também da busca de profundidade. Na última década, é um jogador que participou em construção de jogadas de gol ou participou efetivamente com gols para suas equipes. Ele agrega muito. A gente precisava, dentro da necessidade e da tendência de usar jogadores abertos, ele veio numa boa hora e tenho certeza que está com muita fome para poder ajudar o São Paulo.”
Muita gente acreditou que a contratação de Artur pode marcar o fim da trajetória de Lucas Moura, atualmente machucado, pelo clube do coração, já que ele tem contrato apenas até o fim do ano. No que depender do treinador, isso não tem a menor possibilidade de acontecer.
“Eu conversei muitas vezes com o Lucas Moura. E ele demonstra sempre estar muito feliz no São Paulo. É um lugar em que ele se sente à vontade e é valorizado. Percebi desde o começo uma abertura grande para que a gente pudesse conversar. Ele não está no dia a dia do campo, mas ele está na fisioterapia e vem com frequência. Os contratos se encerram e começam. O clube e o atleta determinam o melhor momento de conversarem a respeito. Mas eu tenho certeza que o Lucas tem muito a oferecer ao clube ainda. Se dependesse apenas do meu desejo, não teria dúvida nenhuma (sobre Lucas ficar no São Paulo).”
Contratado pelo São Paulo em um momento de baixa, em que estava desempregado desde que deixou o Inter, no ano passado, Roger tem certeza que o desafio é justamente o que ele precisava para a volta por cima: “O carimbo do São Paulo na carreira de um treinador de futebol que vence no clube o projeto para o mundo. Pela amplitude, pela história da torcida e pelas conquistas. Sem dúvida nenhuma, o treinador que busca grandes voos na carreira tem que passar por um clube como o São Paulo. Ter o carimbo deste distintivo na sua trajetória… a gente sabe do tamanho do clube e da pressão envolvida em tudo isso. E saber administrar esses momentos de instabilidade, das pressões, das cobranças, nesse universo de deixa capacitado para outros momentos, para qualquer desafio. Encaro como uma grande oportunidade sim. Não costumo me queixar desses momentos de maior pressão, porque eu escolhi estar nesse lugar. Se eu desejo tudo que o São Paulo pode me proporcionar como treinador, eu tenho que estar pronto para esse momento.”
Fonte: ESPN
