Crespo levanta o moral do elenco: ‘Com essa vontade, a torcida fica feliz’
O São Paulo está vivo no Campeonato Paulista. Depois de flertar com a possibilidade de rebaixamento no estadual nas rodadas iniciais, o Tricolor emendou mais um bom resultado ao bater o Primavera, por 2 a 1, e entrar no grupo dos classificados para o mata-mata. Na visão do técnico Hernán Crespo, a vitória foi épica por uma série de fatores combinados.
O confronto não foi nada fácil para o São Paulo. O time saiu perdendo, teve dificuldades criativas no segundo tempo e o clima não ajudou com a chuva na capital paulista. Mesmo assim, a equipe teve resiliência para buscar a vitória no segundo tempo com gols de Lucas Moura e Calleri, em cobrança de pênalti.
— Estávamos bem, mas um desgaste grande, pois estávamos criando muito. Dois criativos como Ferreirinha e Lucas que fizeram 30 minutos bons, mas depois sentiram o desgaste. Quando sentiram, tivemos dificuldades defensivas. Na hora de correr para recuperar, chegamos mais tarde, o campo ficou grande.
— Eles (Primavera) tomaram coragem, tentamos controlar, mas acabou não acontecendo nada grave. É normal. Mudamos no segundo tempo para ter mais criatividade entrelinhas. Eles encontraram o gol e depois ficou tudo épico: a chuva, as mudanças… A torcida ficou feliz pois foi um espetáculo bonito, mas sofrido, muito sofrido — iniciou Crespo, enaltecendo a resiliência do elenco do Tricolor durante o segundo tempo da partida.
Mesmo com a chuva, o São Paulo colocou mais de 37 mil pessoas no Morumbi, que assistiram o quarto jogo seguido de invencibilidade do clube na temporada. Com o resultado desta noite, o Tricolor chegou aos dez pontos e assumiu a oitava colocação na tabela do Campeonato Paulista.
A equipe ainda pode ser ultrapassada até o fim da rodada a depender dos resultados do próximo domingo. Mesmo assim, o momento é de felicidade pelos bons resultados e, sobretudo, pelo resgate do bom futebol de nomes importantes do grupo, como Lucas Moura, Calleri e Luciano.
— As coisas podem ir bem ou mal, mas com essa vontade, a torcida fica feliz. Talvez, em outros momentos em situações assim, começa-se a ter pensamentos negativos. Fico feliz pelo Lucas, muito feliz. Ele precisava de uma noite assim. Fico muito feliz por Calleri também. E Luciano é Luciano. Quando entra, muda tudo — enalteceu Hernán Crespo em entrevista coletiva ao fim da partida.
Vivo no Campeonato Paulista, o Tricolor agora volta as atenções para o Brasileirão. Na próxima quarta-feira, às 21h30 (de Brasília), a equipe mede forças com o Grêmio, no Morumbis, pela terceira rodada da Série A. No dia 15 (domingo), o São Paulo decide seu futuro no estadual contra a Ponte Preta, já rebaixada para a Série A2.
Confira outros trechos da coletiva de imprensa do treinador do São Paulo:
Análise coletiva
— Time se comportou bem, criou ocasiões no primeiro tempo. Tivemos nos últimos momentos dificuldade para recuperar a bola, pois o posicionamento era para criar. Mudamos no segundo pois achamos que tinha que colocar mais gente ofensiva, eles estavam em dificuldade e precisávamos colocar mais gente. Primeiro tempo a escalação foi pelo desgaste dos jogos, era tentar não arriscar o Luciano, que entrou bem. Encontraram um gol. Era um jogo tão difícil que podia até perder. Cria muito e acaba deixando espaços atrás. Colocamos pressão e demo espaços porque não abrimos o placar. Conseguimos mais uma virada.
Ambiente estável?
— Ajudam (as vitórias). Quando o resultado é positivo, tudo que falamos temos razão. Quando é derrota, vira desculpa. Lembra que falei: temos um elenco curto. Posso falar outra vez isso aqui? Vou ter mais credibilidade? Não é um corpo estranho o time. Hoje tenho razão ou não? É muito difícil falar a cada três dias respondendo dez perguntas. Acho que talvez em alguma coisa no passado eu tivesse razão, mas hoje tenho porque ganhamos. E não é assim.
Sobre espaços deixados na defesa e a quantidade de chegadas do Primavera
— Claro que me preocupa. O time está ofensivo de mais. Cria coisas importantes na frente, mas tem que ter um equilíbrio defensivo. Deixa buraco. Não é fácil cobrir todo o campo quando tem tantos jogadores ofensivos de um contra um e precisamos deixar eles errarem. São jogadores criativos, que vão errar também. Cria uma situação de transições que se a gente controla, facilita. Os espaços são mais perto, dosamos energia, e tem jogo que não tem, precisamos marcar no espaço grande, no um contra um, em transição e contra gente rápida. Não pode pensar que podemos jogar assim todos os jogos.
Momento do São Paulo
— Não pensar de maneira negativa, nem positiva. Normal. Jogo a cada três dias. Não conheço uma profissão que tenha um exame a cada três dias. É bom ou é ruim a cada três dias. Não vou atrás do resultado, vou atrás do trabalho. Acontecem coisas, é futebol. Ter calma e analisar outras coisas que são meu trabalho, não posso pensar que o torcedor tem que pensar como eu. Pra mim, é sempre igual, na derrota ou na vitória, ver as coisas para melhorar e transmitir uma calma que não vá atrás dos resultados. É a coisa mais importante, sim, mas tenho que pensar nos funcionamentos, nas pessoas que passam por momentos fora do campo. Coisas que vocês não sabem. Tem que ajudar, tem que ver. Situações que condicionam as escolhas. Crespo não vê? Eu vejo tudo.
Fonte: GE
