Polícia diz que a cada R$ 5 recebidos por Casares, R$ 4 tiveram origem ‘atípica’
O inquérito policial instaurado pelo delegado Tiago Fernando Correia aponta para uma movimentação atípica nas contas do presidente do São Paulo, Julio Casares, segundo relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) publicados pelo Uol e também obtidos pelo ge.
Foram analisadas as movimentações de Casares durante 29 meses, entre janeiro de 2023 e maio de 2025. Segundo a investigação, “a atipicidade deixa de ser pontual e revela-se estrutural”.
Com um salário de R$ 27.505,32 no São Paulo, Casares recebeu no período um total a título de salário de R$ 617.506,90. No período, sua conta movimentou R$ 3.197.499,41, uma média de R$ 110 mil por mês.
Ou seja, segundo o relatório, “a renda oficial do titular foi capaz de justificar apenas 19,3% de toda a movimentação financeira da conta. Existe, portanto, um excedente sem lastro salarial de R$ 2.579.992,51”.
O relatório diz ainda que, “em termos práticos, para cada R$ 1,00 que entrou na conta com origem comprovada (salário), outros R$ 4,00 entraram sem lastro em folha de pagamento, sendo esta diferença suprida, majoritariamente, pelos depósitos em espécie de origem não identificada”.
Do montante, cerca de R$ 1,5 milhão tiveram origem em depósitos em espécie. Isso significa que 47% de todo o dinheiro que entrou na conta não possui rastro eletrônico de origem, tendo sido entregue em guichês de caixa e terminais de autoatendimento.
Foi por conta desta movimentação incompatível que o alerta de Compliance do Banco Bradesco notificou o Coaf.
Em nota, os advogados de Julio Casares fizeram a seguinte declaração:
“Os advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine, que representam a defesa particular de Júlio Casares, afirmam que todas as movimentações financeiras de Júlio, contidas nos relatórios do COAF, possuem origem licita e legitima, com lastro compatível com a evolução de sua capacidade financeira.
Esclareça-se que antes de assumir a presidência do São Paulo Futebol Clube, nosso constituído desempenhou e exerceu funções de alta direção na iniciativa privada, com boa remuneração.
Ademais, a origem e o lastro de tais movimentações serão detalhadas e esclarecidas no curso das investigações – com a apresentação de provas, declarações e informações fiscais – justamente para rebater qualquer ilação que se fizer e, ainda mais porque não tiveram acesso à integralidade do inquérito policial”.
Saques nas contas do clube também são investigados
Paralelo ao caso envolvendo Casares, a Polícia Civil analisa 35 saques em dinheiro realizados nas contas do São Paulo entre janeiro de 2021 e novembro de 2025.
A linha do tempo indica R$ 1,5 milhão sacado em sete operações em 2021. Em 2022, R$ 1,2 milhão em seis saques, mais R$ 1,4 milhão em 2023, novamente em seis saques.
O ano de maior movimentação foi 2024, com 11 saques totalizando R$ 5,2 milhões. Em 2025, mais R$ 1,7 milhão em cinco saques.
As duas primeiras movimentações em 2021 foram realizadas por um funcionário do São Paulo. Depois disso, o clube contratou uma empresa de carro forte para fazer as retiradas.
A investigação considera que esta pode ser uma forma de dificultar a identificação dos envolvidos.
Fonte: GE, Foto: Arquibancada Tricolor
