Policiais encontraram R$ 20 mil em espécie na casa de Mara Casares
A Polícia Civil de São Paulo cumpriu quatro mandados de busca e apreensão contra pessoas ligadas na investigação que apura a venda ilegal de camarotes no São Paulo Futebol Clube, como detalhou reportagem do ge nas últimas semanas.
A operação foi realizada pela 3ª Delegacia de Polícia de Investigações sobre Desmanches Delituosos (DICCA) por ordem expedida pelo D. Juízo das Garantias da Capital.
– Nós temos documentação bastante farta, que foi arrecadada hoje, sobre a qual a documentação nós não iremos nos manifestar. Os quatro mandados expedidos pela justiça foram cumpridos com êxito, duas pessoas não estavam nos locais, o que não impediu o cumprimento do mandado.
– Foram arrecadados documentos em todos os lugares e os documentos arrecadados autorizam visualizar a gravidade dos fatos e a extensão dos fatos, inclusive a abrangência temporal, muito mais tempo que se imaginar. Nós não falaremos a respeito daquilo que está absolutamente fechado ainda para investigação – explicou José Reinaldo Carneiro Guimarães, promotor de Justiça do Estado de São Paulo.
Os alvos dos mandados são Douglas Schwartzmann, afastado do cargo de diretor adjunto das categorias de base, Mara Casares, ex-esposa de Julio Casares, presidente que passa por processo de impeachment no São Paulo e está afastado, além da empresária Rita de Cassia Adriana Prado.
Segundo informações do g1, na residência de Adriana, a diligência restou infrutífera quanto à localização da investigada; seus filhos, presentes no local, informaram que a mesma reside atualmente em outro endereço. Ali, porém, anotações pertinentes foram encontradas.
Na residência de Mara Casares, as buscas lograram êxito, resultando na apreensão de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) em espécie, além de farta documentação e uma CPU. Por fim, na residência de Douglas, constatou-se que o alvo encontra-se em viagem ao exterior. As equipes foram atendidas pelos filhos do investigado e as buscas no imóvel permanecem em andamento neste momento.
As medidas cautelares inserem-se no bojo de investigação que apura a prática dos crimes de coação no curso do processo, associação criminosa e corrupção privada no esporte, segundo informou a Polícia.
– É um período de tempo muito maior do que se supõe, isso é seguro, eu peço que vocês compreendam que neste momento a investigação não está falando a respeito de resultado de mandados de busca na sua parte documental, evidentemente que não é possível de se falar.
– Foi localizada a Mara e nos quatro endereços, dois da Adriana, mais um endereço da Mara, mais um endereço do Douglas, as diligências foram muito bem sucedidas. Todos os locais têm coisas apreendidas que servem para a investigação que já está em curso. São muito exitosas as arrecadações que foram feitas hoje, é a avaliação que a gente tem para fazer neste momento – disse o promotor.
Em nota, o São Paulo disse que “é vítima neste caso e vai contribuir com as autoridades na investigação”.
A Polícia Civil foi alertada sobre um eventual esquema no clube por uma denúncia enviada pelos Correios. No mesmo inquérito, Julio Casares, atual presidente do São Paulo, e o seu núcleo familiar também são investigados.
De acordo com o delegado Tiago Fernando Correia, o São Paulo é tratado como vítima, algo semelhante ao caso envolvendo o Corinthians e o contrato milionário com uma casa de apostas. Ambas investigações são lideradas pelo mesmo delegado.
O que diz Douglas Schwartzmann
Em nota, o diretor afastado do São Paulo e um dos alvos da operação, se defende:
No final do ano passado, quando tomou ciência da investigação pela mídia, a Defesa se dirigiu a Delegacia e informou que o Sr. Douglas Schwartzmann estava à inteira disposição da Autoridade Policial para prestar esclarecimentos sobre os fatos.
Ato seguinte, no dia 9 de janeiro, a Defesa comunicou formalmente a Autoridade Policial que o Sr. Douglas faria uma viagem ao exterior na semana do dia 18 de janeiro, em razão de compromissos profissionais.
Inclusive, naquela oportunidade, apresentou-se cópia das passagens aéreas – ida e volta -, bem como a documentação comprobatória das atividades que faria no exterior.
Hoje, policiais civis se dirigiram a residência do Sr. Douglas e constataram o óbvio: ele não estava.
À toda evidência que a busca realizada na presente data – justamente quando as Autoridades tinham prévia ciência que Douglas estaria fora do país – tem a finalidade única de constrangê-lo, uma vez que tal medida foi totalmente inócua.
O que diz Mara Casares
A Sra. Mara Suely Soares de Melo Casares, por meio de seus advogados Rafael Maluf, Paula Stoco e Chiara de Siqueira, vem a público informar que foi surpreendida na data de hoje com o cumprimento de medida cautelar de busca e apreensão em sua residência.
Cumpre destacar que a Sra. Mara Suely Soares de Melo Casares sempre se colocou à inteira disposição da Autoridade Policial para prestar os devidos esclarecimentos acerca dos fatos perquiridos nos autos do aludido Inquérito Policial, jamais tendo sido intimada para qualquer ato que objetivasse a sua respectiva elucidação, mesmo com o constante contato presencial de seus advogados com a Autoridade Policial. É inegável a postura colaborativa da Sra. Mara Suely Soares de Melo Casares com o deslinde das investigações, cujo teor é amplamente divulgado pelos meios de comunicação. Dessa forma, uma medida desta gravidade, cujos fatos são públicos, a torna desnecessária e inócua, restando como objetivo apenas e tão somente a exposição midiática e abusiva da Sra. Mara e de seus familiares.
A Sra. Mara Casares mantém a sua postura irrestrita de colaborar amplamente para a elucidação dos fatos perquiridos, cuja lisura de seus atos será comprovada ao longo desta investigação policial. Por fim, a Defesa esclarece que ainda não teve acesso à íntegra da decisão proferida pelo Juízo da Vara das Garantias do Foro Central Criminal da Capital do Estado de São Paulo, que determinou a medida de busca e apreensão.
A crise política do São Paulo
Conselheiros do São Paulo protocolaram em 23 de dezembro um requerimento com 57 assinaturas pedindo a convocação de reunião extraordinária para discutir o impeachment de Julio Casares.
Depois de alguns escândalos e da investigação, a reunião para votação da destituição do presidente teve aprovação por maioria dos conselheiros. Casares foi afastado e agora aguarda nova votação, desta vez dos sócios, para confirmar ou não a destituição do cargo de presidente do São Paulo.
A pressão em Casares aumentou com a reportagem do ge que revelou exploração clandestina de um camarote do Morumbis envolvendo dois diretores da situação, hoje afastados.
Em áudio, Mara Casares e Douglas Schwartzmann admitiam participar de um esquema para uso ilegal de um camarote no show da Shakira, em fevereiro de 2025.
Enquanto o caso ganhava destaque, a Polícia Civil já mantinha uma inquérito aberto atuando em algumas frentes de investigação, uma delas sobre supostas irregularidades no departamento de futebol, e outra em relação às contas bancárias do São Paulo Futebol Clube e de Julio Casares.
A Polícia Civil investiga, por exemplo, a razão do recebimento de R$ 1,5 milhão por depósitos em dinheiro nas contas de Julio Casares. Outra investigação tenta explicar a razão de 35 saques nas contas do clube entre 2021 e 2025, totalizando R$ 11 milhões.
Fonte: GE
