Casares gastou R$ 500 mil em cartão corporativo do São Paulo

Uma investigação do Conselho Fiscal do São Paulo apontou que o ex-presidente Julio Casares somou quase R$ 500 mil em gastos pessoais no cartão corporativo durante sua gestão, conforme apurou o ge.

Casares devolveu o dinheiro corrigido, mas apenas no segundo semestre do ano passado. Entre os gastos figuram salão de cabelereiro e lojas de grife.

Os dados vieram à tona após o Conselho Fiscal do clube solicitar os extratos do cartão corporativo utilizado por Casares. Desde o início de seu mandato, em 2021, a prestação de contas nunca havia sido feita ou solicitada por órgão algum dentro do clube.

Assim, durante a grave crise financeira vivida pelo Tricolor nos últimos anos, que passou por momentos de atrasos salariais e convive até hoje com dificuldades em pagar os direitos de imagem, o ex-mandatário devia valores ao São Paulo.

O ge ouviu que não havia, até então, uma política que obrigasse que tais valores fossem devolvidos em prazo determinado. Foi apenas após o episódio e a devolução do dinheiro com juros e correção monetária que o clube criou a diretriz, por meio do diretor de compliance Roberto Armelin.

A, até então, ausência da política de uso do cartão corporativo e a falta de fiscalização e cobrança pela devolução por parte do departamento financeiro do clube, dirigido por Sérgio Pimenta, desagradou diversas alas do clube e do Conselho Deliberativo.

O ge também ouviu, por outro lado, que tal política não se faria necessária, pois o Código de Ética e Conduta do clube já teria orientação suficiente para balizar um uso consciente do cartão.

Em média, o ex-presidente somava pouco mais de R$ 8 mil por mês em gastos pessoais no cartão corporativo do clube desde que assumiu a presidência. A reportagem procurou Julio Casares, que se manifestou por meio da seguinte nota:

“Os advogados Daniel Leon Bialski e Bruno Garcia Borragine, que representam Julio Cesar Casares, afirmam que seu constituinte reembolsou integralmente eventuais despesas que não se afigurassem integralmente consequentes da função por ele desempenhada no SPFC. Esclareça-se ademais que, diante da anterior inexistência de regulamentação própria, foi Julio Cesar Casares quem, de forma inovadora e em vista das melhores práticas, solicitou ao Núcleo de Compliance a elaboração de regulamento próprio disciplinando o uso de cartões corporativos pelos Departamentos, sobrevindo a vanguardista Política de Uso de Cartão Corporativo, que foi aprovada pelo Conselho de Administração do SPFC.”

O ge também procurou os diretores de Compliance e Jurídico, Roberto Armelin e Sérgio Pimenta, respectivamente. Armelin preferiu se manifesta via assessoria de imprensa do Tricolor. Pimenta não respondeu às tentativas da reportagem.

Em contato com o ge, o São Paulo se posicionou:

“Com relação ao cartão corporativo disponibilizado ao então presidente, o departamento financeiro detectou a necessidade de um aprimoramento no processo de acompanhamento da utilização.

Com isso, houve o ajuste dos processos e o ex-presidente realizou o reembolso dos valores, com adição de juros e correção monetária.

Após o caso, houve a solicitação ao departamento de Compliance pela a elaboração de uma nova política de uso dos cartões, que passou a vigorar desde então”.

Fonte: GE