Em grande fase em Portugal, William diz que história com SPFC ‘não acabou’
Jovem, canhoto, habilidoso, fã de Neymar e goleador. Aos 20 anos, William Gomes vive o melhor momento da carreira e ganha cada vez mais protagonismo no Porto. Revelado pelo São Paulo, o atacante brasileiro foi deslocado para a ponta direita nesta temporada para jogar com a perna invertida e soma 12 gols e duas assistências até aqui, sendo decisivo na campanha que coloca o clube na liderança do Campeonato Português e nas quartas de final da Liga Europa.
Em alta, com gols nas últimas três partidas do clube, ele vem se firmando como uma das principais promessas sub-20 do Brasil em atividade no futebol europeu e conversou o ge sobre a grande fase. Ele é o artilheiro do Porto em 2026.
– A temporada tem sido muito boa para mim, a melhor da minha carreira. Estão acontecendo várias coisas positivas, muitas delas que eu já tinha planejado no início da temporada. Mais uma vez, acredito que estou vivendo uma grande fase, um grande momento, e é algo que quero sempre buscar: fazer meus gols e ajudar a equipe de alguma forma. Fui feliz nas últimas partidas, e o apoio dos torcedores é gratificante, porque você vê que o seu trabalho está sendo valorizado e reconhecido. É um prazer enorme – disse William Gomes em entrevista ao ge.
Natural de Sergipe, William deixou cedo a cidade natal para integrar a base do São Paulo, onde construiu sua trajetória até o profissional. Revelado em Cotia, William foi vendido pelo São Paulo em janeiro de 2025 por 10 milhões de euros (R$ 61,4 milhões na cotação da época). Ele também acumula passagens pelas categorias de base da Seleção.
– Todo mundo passa por um período de adaptação, e não é fácil. Para alguns, é mais tranquilo, para outros, mais turbulento. O meu início no Porto não foi como eu esperava. Eu imaginava jogar mais, o time também não estava tão bem no campeonato, então as coisas foram complicadas. Mas eu me mantive bem, segui treinando forte e conversando bastante com as pessoas do clube – disse William Gomes, completando:
– Eu falava muito com o Jorge Costa (ídolo do Porto), que faleceu, e ele sempre me dizia que era normal passar por esse período de adaptação e que eu deveria continuar trabalhando como vinha fazendo, porque as coisas aconteceriam aos poucos. Eu confiei muito nisso. Fui trabalhando cada vez mais, e, na Copa do Mundo de Clubes, tive minha primeira oportunidade como titular. Acho que ali foi uma virada de chave, porque percebi que estava preparado. E, no início desta temporada, consegui manter o que fiz naquele momento – disse o atacante, que marcou um gol no Al-Ahly na Copa do Mundo de Clubes.
No ano passado, o Porto adquiriu 80% dos direitos econômicos, enquanto o clube paulista manteve 20%. Antes da saída, o jovem já chamava atenção: com três gols em 16 jogos em 2024, ele foi o jogador mais utilizado entre os jovens pelo então técnico Zubeldía naquele ano. Mesmo em ascensão na Europa, ele mantém o time paulista no horizonte e mantém o ex-clube bem presente no dia a dia.
– Eu sempre tento acompanhar os jogos do São Paulo. Geralmente, os jogos aqui ficam muito tarde, mas, quando dá, eu acompanho bastante. É um clube pelo qual tenho um carinho muito grande, e creio que a minha história no São Paulo ainda não acabou. Acho que há muitas coisas que não realizei no São Paulo e que ainda tenho muito a conquistar no clube. Então, é algo que está na minha mente. Às vezes, fico até surpreendido pelo carinho que a torcida tem. Acho que o São Paulo fez muito bem na minha trajetória – declarou.
William Gomes vem ganhando cada vez mais minutos com o técnico Francesco Farioli. Nas graças da torcida portuguesa, ele marcou gols nas últimas três partidas da equipe: um golaço contra o Moreirense pelo Campeonato Português, um gol decisivo contra o Stuttgart, na classificação para as quartas de final da Liga Europa e, no último domingo, voltou a balançar as redes pela liga nacional na vitória de virada sobre o Braga por 2 a 1. O resultado manteve o Porto na liderança. Neste momento, William Gomes é o jogador sub-20 com mais gols em Portugal.
— William Gomes, que acumula convocações para as categorias de base do Brasil
Ao marcar contra o Stuttgart, pela Liga Europa, William Gomes correu para a bandeirinha de escanteio e a fincou no gramado. A comemoração viralizou nas redes sociais e, segundo o atacante, foi uma homenagem aos amigos e inspirada em um game muito popular entre os jovens.
– Eu jogo muito com meus amigos. A gente acaba ficando no Fifa, no Free Fire e em outros jogos. Na noite anterior, já na concentração, no dia do jogo, a gente estava jogando à tarde, antes de eu dormir. Eu estava jogando com meu irmão e mais dois amigos. E aí eles deram a ideia: “Se você fizer o gol, pega a bandeirinha e coloca no chão”, que é meio que um “emote” (uma animação) que tem no Free Fire. Eu falei: “Vou fazer” – disse William Gomes, completando:
– Quando eu faço o gol, é a primeira coisa que vem na minha cabeça. Então, foi algo planejado, eu só pego a bandeira e faço. Minhas comemorações vêm muito dos meus amigos, eles que me passam tudo. Eu até brinco com eles: “Minha função é fazer o gol, e o resto vocês se viram. Quando vocês virem uma comemoração boa, que acharem legal, vocês me mandam que eu faço no jogo”.
Dentro de campo, William revela que busca inspiração em nomes que marcaram sua geração, especialmente no estilo de jogo. Fã declarado de Neymar, o atacante afirmou que se inspira no jogador do Santos e em Vinicius Junior no estilo de jogo.
– Eu me inspiro muito no Neymar e no Vini Jr., porque são jogadores com características que eu vejo como semelhantes às minhas. Antes dos jogos, eu tento assistir a vídeos deles, observar coisas que fazem, para tentar executar em campo. Cristiano Ronaldo e Messi são pessoas que também me inspiram, obviamente por tudo que fizeram, pelo talento que têm e pelo trabalho que realizam. O Neymar é o único que eu já conheci. Já tirei foto com ele, fiz uma ação junto na Puma e também encontrei com ele em um restaurante. Então, foi o único ídolo que eu conheci pessoalmente
Confira outros trechos da entrevista com William Gomes:
Parceria com Thiago Silva no Porto
– Acho que o Thiago Silva é um ídolo para todos nós. Eu converso muito com o Pepê também, que é um dos meus amigos aqui no clube, e a gente sempre fica um pouco nervoso, ansioso, quando está ao lado do Thiago, porque não é algo normal, não acontece sempre.
– Ele tem nos ajudado bastante, a mim, em especial. No último jogo, por exemplo, me ajudou muito, sempre passando a experiência dele, orientando sobre o que fazer e no que precisamos melhorar. A gente consegue ter essa troca, essa conexão, e ele vem somando de forma muito positiva desde a chegada ao Porto.
Canhoto atuando pelo lado direito
– É uma posição em que eu sempre tive vontade de jogar. Fiz praticamente toda a base pelo lado esquerdo, com alguns jogos pela direita, mas a maior parte do tempo atuando pela esquerda. Mesmo assim, sempre quis jogar pelo lado direito. Com a chegada do técnico Farioli e depois da lesão do Pepê, fui para a direita e me adaptei bem.
– Conversei com ele (o técnico do Porto) e disse que me sentia mais confortável ali. Hoje, é uma posição em que me sinto bem, atuando pela ponta direita, pelo lado direito do campo. Claro que também consigo jogar pela esquerda, me sinto bem por ali, mas a minha preferência é pela direita, porque acredito que tenho mais criatividade nesse lado.
Trabalho mental para performar
– A parte mental é a mais importante no futebol, na minha opinião. Se você não estiver bem mentalmente, as coisas não acontecem. Então, é algo que eu procuro trabalhar muito no meu dia a dia, para que tudo flua da melhor forma.
– Aqui em Portugal, minha rotina é basicamente assim: pela manhã, vou ao clube e passo entre quatro e seis horas por lá, todos os dias. Depois volto para casa, sigo minha rotina, às vezes faço algo com meus pais, com meu irmão. E, na sequência, faço o trabalho de recuperação, que é algo que realizo diariamente, porque acredito que ajuda muito.
– O futebol vai muito além das quatro linhas. Acho que todo jogador precisa se preparar cada vez mais, porque não é só no campo que a gente treina. Eu até falo para os meus pais que vivo intensamente o futebol. É isso que faço todos os dias: meu trabalho de preparação, o trabalho mental. É algo que me ajuda bastante.
Trajetória até o São Paulo
– Saí de Aracaju, em Sergipe, por volta dos 12, 13 anos. Eu já ia para São Paulo antes disso, porque era monitorado pelo clube e participava de alguns períodos de treinamento. Acabei me mudando muito novo, junto com meus pais.
– Acho que o São Paulo foi uma das coisas mais importantes que aconteceram na minha vida. Além de me formar como jogador, também me ajudou a me tornar uma pessoa melhor, mais consciente. Na minha transição para o profissional, o Dorival foi um ponto-chave. Foi ele quem me subiu e conversava muito comigo, sempre falando no que eu precisava evoluir. Tive algumas oportunidades no fim de 2023, e aquele período de convivência com ele foi muito importante. Aprendi bastante e evoluí muito.
Sonho de jogar pela Seleção principal
– A gente precisa acreditar e visualizar coisas boas. Sabemos da dificuldade, porque o Brasil tem muitos jogadores de qualidade, mas é um sonho que eu tenho. Já tive a oportunidade de defender a seleção de base, sei o quanto isso é um grande privilégio.
– Um dos meus objetivos é chegar à seleção principal. É algo em que eu me vejo, então estou me preparando diariamente para isso. Não sei quando vai acontecer, se será neste ou em outro ciclo, mas sigo trabalhando para que, quando a oportunidade surgir, eu esteja pronto.
Fonte: GE
