Casares tenta barrar na Justiça investigação sobre camarotes 

A defesa de Julio Casares, ex-presidente do São Paulo, entrou com mandado de segurança pedindo a suspensão das investigações que apuram a exploração clandestina de camarotes do Morumbis durante sua gestão. O pedido também inclui o inquérito que investiga possível lavagem de dinheiro no clube sob seu comando.

O pedido foi feito na última segunda-feira e ainda não teve resposta do juiz do caso. Enquanto a decisão não sai, as investigações nos dois inquéritos seguem normalmente.

Antes de protocolar o mandado de segurança, a defesa de Julio Casares havia pedido, na semana passada, para participar da oitiva de duas testemunhas que seriam realizadas na última quinta: do diretor financeiro do São Paulo, Sergio Pimenta, e de uma outra funcionária do clube que trabalha diretamente com a presidência.

O pedido foi recusado pela Polícia Civil, que forma uma força-tarefa com o Ministério Público nos três inquéritos que investigam possíveis irregularidades na gestão de Julio Casares. A defesa do ex-presidente, então, entrou com um pedido para suspender as investigações alegando que teria o direito de fazer perguntas para as testemunhas ouvidas na quinta-feira.

Questionados pela reportagem sobre o mandado de segurança, os membros da força-tarefa se mostraram surpresos com o pedido, recebido por eles justamente no dia de duas importantes oitivas para o caso. O ge também procurou os advogados de Casares, mas não obteve resposta até a publicação.

Julio Casares é um dos investigados no inquérito que apura a exploração clandestina de camarotes do Morumbis, assim como Mara Casares, sua ex-esposa e ex-diretora feminina cultural e de eventos, Douglas Schwartzmann, ex-diretor de futebol de base, Marcio Carlomagno, ex-superintendente geral do clube e braço direito do ex-presidente, e Rita de Cassia Adriana Prado.

Até agora, no curso deste inquérito, diversas testemunhas, além de Douglas Schwartzmann, Mara Casares e Adriana, como investigados, foram ouvidos.

No inquérito em apura possível lavagem de dinheiro, Casares é investigado por saques realizados das contas do São Paulo e depósitos feitos em suas contas no período em que era presidente do clube. Um relatório do Conselho Fiscal do Tricolor apontou que o ex-dirigente não conseguiu comprovar quase R$ 7 milhões sacados.

Nessas oitivas, os investigados e as testemunhas, na presença de seus advogados, são ouvidos pelo delegado Tiago Correia e pelos promotores José Reinaldo Carneiro e Tomás Ramadan, que comandam a força-tarefa.

A defesa de Casares não havia pedido para participar de nenhum outro depoimento além dos dois realizados na última quinta-feira, com funcionários que lidavam diretamente com o ex-presidente do São Paulo.

Entenda o caso dos camarotes

Em áudios obtidos com exclusividade pelo ge, Douglas e Mara admitem que participaram de um esquema de exploração clandestina, pelo menos no show da Shakira, em fevereiro do ano passado. Na gravação, Schwartzmann diz que ele e outras pessoas ganharam dinheiro.

– E vou repetir uma coisa. Você é uma pessoa que a Mara confiou. Eu só entrei nisso porque a Mara me garantiu que você era de total confiança. Desde o primeiro dia que eu te falava isso. Não podemos fazer coisa errada aqui. Então, teve negócio que você ganhou dinheiro, eu ganhei, todo mundo ganhou. Mas foi feito tudo na confiança. Coisa errada? Errou, tem que comer com farinha. Não tem jeito, querida. Não tem outro jeito. Não tem outro jeito. Não tem.

O ex-diretor da base afirma também, na conversa, que Mara Casares recebeu de Marcio Carlomagno, superintendente geral do São Paulo, o camarote e comercializou ingressos do show da Shakira, em fevereiro deste ano. Carlomagno era braço direito de Julio Casares e principal nome da situação para eleição de 2026.

O camarote que motivou a gravação e um processo judicial ao qual o ge teve acesso foi o 3A, no setor leste do estádio. Em documentos internos do clube, esse espaço consta como “sala presidência”. O local fica em frente ao escritório que era usado por Julio Casares e era utilizado para reuniões e até entrevistas.

Por causa deste caso, Marcio Carlomagno, Douglas Schwartzmann e Mara Casares foram expulsos do São Paulo. O ex-superintendente deixou o quadro social, enquanto os dois ex-diretores foram eliminados, também, do Conselho Deliberativo.

O inquérito da Polícia Civil que investiga o caso está em fase de produção de provas e deve ser concluído nos próximos meses.

Fonte: GE