Reinaldo declara seu amor ao SPFC: ‘Sou torcedor fanático, não perco nenhum jogo’
No dicionário dos boleiros, o termo “resenha” tem duas aplicações. Pode ser um substantivo, que significa conversa ou papo descontraído, mas também um adjetivo, que qualifica aquele que é engraçado, gosta de fazer brincadeiras e contar histórias.
Reinaldo, lateral-esquerdo do Mirassol, representa bem o que é ser resenha. O jogador parece estar sempre de bom humor, alegrando o ambiente onde está e rindo de si mesmo e dos outros.
O lado extrovertido e alto astral é motivo de orgulho para Reinaldo, mas ele também entende que sua carreira foi prejudicada por isso. Hoje com 36 anos, o lateral reflete sobre sua trajetória e acredita ter ficado estigmatizado por parte da opinião pública:
– Vivi grandes momentos no São Paulo, anos maravilhosos em números, em desempenho, em tudo. E eu acho que era para ser lembrado até em seleção, por exemplo, nunca se falava do Reinaldo, mesmo performando em alto nível – disse o jogador, em entrevista ao Abre Aspas.
– As pessoas ficaram muito na parte da resenha e não olharam tanto para números e performance. Acho que isso pegou muito. Mas agora, no fim da carreira, todo mundo está vendo que não é só resenha, tem futebol também.
Nesta entrevista, Reinaldo não abriu mão da tal resenha. Relembrou o dia em que marcou o holandês Arjen Robben, da vez em que enfrentou Lionel Messi, “daquele tamanhinho”, e contou histórias engraçadas sobre Luis Suárez nos tempos de Grêmio.
Mas também teve muito assunto sério. Ele detalhou a importância de Fernando Diniz em sua carreira, declarou ser torcedor fanático do São Paulo e contou como comentários em rede social impactaram negativamente um período de sua carreira:
– Eu entrava nos jogos com medo de errar, aí me travava – revelou o jogador, que já atuou em mais de 800 partidas como profissional e disputa o Brasileirão pela 15ª temporada consecutiva.
Você é sempre visto sorridente, brincando com as pessoas. Qual o segredo de tanto bom humor?
– É estar sempre feliz onde você está trabalhando, onde te acolhe muito bem. Por onde eu passei sempre tive esse carinho. E para retribuir esse carinho eu procurei sempre estar em campo, nos treinos, no dia a dia, sempre feliz, para que quem estiver à minha volta esteja feliz também, seja leve. Isso, para mim, é o que mais importa, independentemente de fase ruim, fase boa, que em tudo na nossa vida a gente tem altos e baixos.
– No meu baixo ali, que eu vivi uma época no São Paulo, eu fiquei muito triste, mas não por muito tempo, porque depois nasceu o meu Davi, né? Ali eu procurei me apegar muito ao meu Davi, à minha esposa, e sempre falei que a tristeza nunca mais iria reinar na minha vida. Desde então, estou sempre com essa felicidade, esse sorriso no rosto, contagiando quem está à minha volta, isso é muito importante. Isso é desde o meu começo, chegando em São Paulo, uma cidade enorme, vindo de Porto Calvo, do interior, sem saber muito o que ia acontecer, e hoje estou aqui, realizado. E momentos de tristeza são poucos, porque onde eu cheguei eu só tenho que agradecer e ser muito feliz.
Já que você mencionou essa saída do interior de Alagoas para São Paulo, gostaria que contasse as memórias mais vivas que você tem dessa época.
– Nossa, quando eu saí ali de Porto Calvo, que cheguei no aeroporto pra pegar o avião, já falei: nossa, será que eu vou conseguir chegar em São Paulo? Mas, graças a Deus, fiz uma excelente viagem e quando cheguei em São Paulo o seu Ataíde, que Deus o tenha, me levou ali na cidade grande. E eu olhando aqueles prédios que eu só via na TV, aquelas coisas todas gigantes ali. Cheguei a ficar emocionado. E um frio, né? Um dia que eu liguei até pra minha mãe e disse: “mãe, aqui é muito frio”. Não sei se eu estou com pouca roupa, mas eu estava com muita blusa e ficava me tremendo por dentro ainda, de tanto frio.
– A lembrança mais é de ver aqueles prédios gigantes e o frio que estava em São Paulo, que eu me tremia bastante. E ainda me lembro que eu não fui direto para o clube, eu fiquei na casa do seu Ataíde, ele acordava não só eu, mas todos os meninos que estavam lá também, às 5h da manhã para ir treinar no parque, para ir correr no parque, acho que era Guarapiranga. Já ia com aquela dedicação, com aquele foco de querer vencer mesmo. Era 5h da manhã, ali no frio, correndo, mas depois que começava a correr ali tudo passava.
Foi sua primeira viagem? Nunca tinha deixado Porto Calvo?
– Nunca, nunca tinha saído da minha cidade. Eu saía da minha cidade para jogar numa cidade vizinha, que dava 15 minutos, Matriz de Camaragibe. Foi onde eu comecei a disputar competições mesmo, Campeonato Alagoano Sub-20. Estudava de manhã, saía de Porto Calvo meio-dia, ia para a Matriz do Camaragibe, treinava, e depois voltava ali para o ponto de novo, pegava a van, ia para casa feliz da vida que treinava. E ali tinha o dono do time que, por eu ser de outra cidade, jogava lá, dava o dinheiro da passagem e ainda dava o dinheiro do lanche, isso aí eu voltava pra casa, economizava no lanche para que eu pudesse levar pelo menos que seja R$ 2 ou R$ 3 ainda que sobrava para dar para minha mãe, para comprar alguma coisa em casa.
As dificuldades enfrentadas na infância e adolescência fazem com que você valorize mais a sua profissão e a vida que você leva hoje?
– Com certeza, sem dúvida. Eu até falo para os meninos mais jovens por onde eu passei que eles possam valorizar onde eles estão, seja no São Paulo, no Sport, no Grêmio, aqui no Mirassol, eu falo para os meninos que valorizem, porque tem lugares que não têm essa estrutura que tem aqui. Que eles foquem mesmo, sem ter alguma distração fora daqui. Para mim, foi muito importante esse aprendizado antes de ser profissional, antes de viajar para São Paulo, de sair lá de Porto Calvo bem antes, porque eu trabalhei e ajudava muito a minha mãe jogando futebol, ganhando um dinheirinho extra, mas também quando dava nos finais de semana eu ia ajudar meus irmãos a trabalhar no frigorífico, matar galinha, e sempre ganhava um trocado para que eu pudesse ajudar ainda mais na renda da minha mãe. Porque a gente era de família humilde e sempre tinha que estar ajudando. Aos domingos, tinha outro irmão meu que trabalhava batendo laje, ele me chamava e eu ia lá e batia laje com ele. Por isso eu valorizo, todo esse esforço que eu faço hoje em dia não foi à toa, valorizo muito estar apto a estar sempre treinando. Eu não gosto de ficar fora de treino.
Você mencionou o trabalho no frigorífico e também como pedreiro. Teve mais alguma outra profissão antes de virar jogador?
– Além de trabalhar no frigorífico, matando galinha, e na laje, lá na minha cidade tem feira de rua, de frutas, uma feira muito grande, eu sempre ia com o carrinho de mão, e tinha as mulheres que não aguentavam levar as compras da feira, porque compravam muita coisa. Aí elas alugavam o nosso carrinho de mão para a gente levar (as compras) pra casa delas. Na minha cidade tem muita ladeira, então subia a ladeira, descia a ladeira, tive essa profissão também. Era mais de final de semana que tinha esses trabalhos. Durante a semana eu estudava de manhã e à tarde jogava futebol. Era meio-dia e a minha mãe dizia: “Vem comer, menino.” Eu falava: não, mãe, vai começar agora a pelada, não tem como, não tem como, não posso perder essa pelada, porque era muito boa, era muito competitiva, era futsal, né? Jogava apostando Coca-Cola. Era muito bom.
Jogou na base de algum clube?
– Não tive base, não tive nada. Minha base foi jogando amador, jogando futsal. Isso aí foi muito bom. Quando eu fui para a cidade vizinha jogar o Campeonato Alagoano, já era sub-20 também, então eu não tive muita base. Eu não podia ir treinar todos os dias, então eu ia duas vezes na semana para essa cidade, porque era muito longe e o dono do time não tinha condição de pagar todos os dias para eu ir. Então ele escolhia os dias mais importantes, que era para montar o time já para o jogo, e aí eu ia sempre esses dias que eram mais coletivos.
Sempre foi lateral?
– Não, jogava mais à frente, de meia e meia-atacante. E quando eu me apresentei no sub-20 do Penapolense também jogava de meia e extremo. Aí fui jogando, fui jogando, até que o Sergião (Sérgio Santos), que era auxiliar do (Marcelo) Veiga, do Bragantino, falou: “Ó, vou botar você de lateral-esquerdo.” Quando eu subi para o profissional. Aí me botou de lateral-esquerdo e fiquei jogando de lateral, jogava de ala. Isso aí foi muito bom pra mim. E depois, ali na Série A3, ele me colocou mais na frente, pra jogar de ala. Pude fazer gols, dar assistência. Começou ali. Aí saí do Penapolense, fui para o Paulista de Jundiaí, ainda de meia também, aí o Luís Carlos Martins, que treinou aqui (no Mirassol), me botou de meia e depois eu recuei, fiquei de lateral, fiz um excelente Campeonato Paulista e fiquei de lateral até hoje.
Depois de defender estes clubes do interior de São Paulo você foi para o Recife, para o Sport.
– Lá foi o momento mais difícil da minha vida, da minha carreira. Foi o momento mais feliz, mas também o mais difícil que eu vivi. Feliz de estar indo para o Sport, de estar jogando uma Série A de Campeonato Brasileiro, mas muito triste porque lá eu peguei uma gripe mal curada, um resfriado, e peguei começo de tuberculose. Então, foi muito difícil para mim, eu achei que não iria conseguir jogar mais. Teve um dia que eu estava treinando lá, já estava ruim, eu fui chutar uma bola e deu uma dor do lado, uma dor insuportável, eu caí lá. Falei para o doutor: não sei o que é isso. Fez o raio-x e o meu pulmão estava pretão. Nessa noite, o doutor me deu a notícia que estava com começo de tuberculose e já à noite escarrei um pouco de sangue e fiquei morrendo de medo. Liguei pra minha mãe e ela me tranquilizou.
– Eu peguei todos os remédios com o doutor, e o Sport me liberou para ir pra casa, porque eu não podia ficar junto com o elenco que poderia passar a doença. Fui pra casa, fiquei ali um mês, um mês e pouco, tratando. Foi muito difícil, de passar um monte de coisa na minha cabeça. Será que eu vou conseguir voltar? Será que eu vou voltar a jogar futebol? E ligava pro doutor e perguntava. O doutor falava “não, fica tranquilo que vai dar tudo certo e logo você está de volta.” Graças a Deus eu fui curado, graças à minha mãe, o carinho dela, dos meus irmãos, de todo mundo que estava comigo, graças ao mastruz com leite que a minha mãe fazia todo dia de manhã ali pra tomar.
De lá você vai para o São Paulo, clube em que você mais jogou. Há uma relação especial até hoje, não é?
– Com certeza. Até hoje, quando estou assistindo ao jogo eu sofro, eu sou um torcedor mesmo, fanático, porque eu não perco nenhum jogo. É até engraçado que a minha esposa me chama, ela fala: “não posso ir pra cama sozinha, você tem que ir comigo, você é meu esposo.” Eu falo: está certo, amor. Mas eu vou já preparado com o celularzinho, eu deixo ali, assistindo ao jogo do São Paulo quando é mais tarde. Eu não deixo de assistir ao jogo do São Paulo porque, além de amigos que eu tenho lá, o São Paulo mora no meu coração. É o clube do meu coração, o clube que eu me identifiquei muito, não só porque joguei lá, vem desde antes, de noite de Libertadores, vendo os meus conterrâneos jogando com a camisa do São Paulo, o Aloisio Chulapa, depois o Willian José, o Souza, vendo esses caras jogando lá, eu falava: nossa, eu tenho que jogar, eu tenho que vestir essa camisa também.
– Até tem um vídeo (de 2011) em que eu falo: não quero jogar lá fora, não, quero jogar no São Paulo. Eu falo que palavras têm poder, então, graças a Deus, eu realizei esse sonho de vestir a camisa de São Paulo não só uma vez, mas muitas, muitas vezes por quase 10 anos. É inesquecível tudo que eu vivi dentro daquele clube, jogando só com craques. Chegando lá, fui cumprimentar o Rogério Ceni todo tremendo.
– Graças a Deus, tenho uma relação muito boa lá. E saí pelas portas da frente, ninguém pode falar um “A” do Reinaldo. Tem aqueles que falam que eu era paneleiro, não sei o quê, mas a minha panela é sempre do bem, não querendo passar por cima de ninguém. A minha panela é aquela panela que traz todo mundo e deixa todo mundo feliz, quem quer estar ali perto. Isso foi o que eu passei em todos os times e eu levei isso na vida, no São Paulo, no Grêmio, Chapecoense, Penapolense, Paulista de Jundiaí, Sport, Mirassol. Sempre foi uma panela do bem, uma panela que era para deixar todo mundo bem, livre, leve e solto, para mostrar o seu futebol, para gostar de estar no clube e dizer: “nossa, mais um dia naquele ambiente maravilhoso.” Era isso que eu fazia, que eu faço para que o ambiente seja sempre esse, maravilhoso e prazeroso de estar aqui e de fazer o seu trabalho.
Sua estreia foi num clássico.
– No jogo contra o Corinthians veio a primeira oportunidade com o professor Paulo Autuori. Ele confiou e me colocou para jogar e, graças a Deus, eu fui bem. Terminou o jogo 0x0, mas fui bem. Isso aí me deu muita moral, me deu muita confiança para o professor Autuori estar me usando nos jogos. E, graças a Deus, depois foi só maravilha.
– O meu próximo jogo era contra o Bayern. Foi muito bom. O meu terceiro jogo foi contra o Milan. E assim foi. Aí depois o Benfica, lá em Portugal. E eu falei, caramba, se eu não amadurecer agora, eu não vou amadurecer nunca.
Como alguém que fala do São Paulo com tanto amor lidou com tantas críticas em determinados momentos?
– Eu sei que não era todo mundo da torcida, né? Então a gente tem que separar muito bem, vão existir essas críticas. Teve um momento em que eu sofri muito, muito, porque eu olhava muito o Instagram. Aí eu via todos os comentários, entrava e aí eu me liguei, eu falei: ah, eu não posso estar vendo isso, eu nem sei se é o torcedor do São Paulo mesmo, se é torcedor de outra equipe. Hoje em dia pode até ser torcedor de outra equipe, que vai lá e te xinga e fala que você é ruim, e aí eu acabava acreditando um pouco.
– Eu entrava nos jogos com medo de errar, aí me travava. Eu falava: caramba, por que eu não estou desempenhando muito bem o meu futebol? E com isso vinham as críticas, né? E eu sei que foi um momento muito difícil ali.
– Mas eu me apeguei muito ao meu filho, à minha esposa. Foi em 2015, meu filho tinha acabado de nascer também. Isso foi maravilhoso, coincidir de o meu filho nascer nesse período, porque eu me apeguei muito ao meu filho. Mas antes disso eu entrava no jogo (pensando): acho que eu vou errar, com medo de errar. Depois que eu falei: eu não posso jogar desse jeito. Quando saí do São Paulo, eu falei assim: caramba, isso não é o Reinaldo que chegou onde chegou, não. Eu vou mostrar pra todo mundo que eu sou bom e que eu cheguei aqui não por acaso, não foi de paraquedas. Na Ponte Preta eu falei: em todos os jogos aqui eu vou mostrar quem é o Reinaldo. E já contra o São Paulo eu faço um gol, né? 1 a 0, gol do Reinaldo. E aí veio mais crítica ainda, né? “Ah, não faz gol, não fazia gol aqui, aí quer fazer contra nós e ainda quer comemorar?”. Algum dos meus ex-companheiros falou, na época, que até comemoraram o meu gol na Ponte Preta contra o São Paulo.
– E quando eu volto para o São Paulo, em 2018, eu falo: sem medo de nada, eu mostrei o que eu posso durante dois anos, fiz um excelente Campeonato Brasileiro pela Chapecoense, só tenho que fazer o que eu fiz lá na Chape. E eu fiz muito bem. É o São Paulo, outro clube, um clube muito gigante, mas eu falei: tenho que mostrar meu futebol do mesmo jeito que mostrei na Chape, eu vou mostrar para todo mundo, aqueles que eu saí daqui sendo criticado, eu vou mostrar que além de ser apaixonado por esse clube eu vou dar a vida e vou mostrar que a minha qualidade vai fazê-los muito felizes, fazê-los mudar de opinião. Então aí já em 2018, 2019, começaram me chamar de Kingnaldo. E eu também esqueci um pouco o Instagram, as redes sociais. Isso me fortaleceu ainda mais. E eu pude mostrar o meu futebol em alto nível, jogando todas as temporadas que eu joguei em São Paulo. Tenho certeza de que eu performei muito bem.
– Foram anos maravilhosos até o último, porque no último ano a gente chegou numa final de Campeonato Paulista, chegamos numa final de Sul-Americana, infelizmente não fomos campeões, porque Deus não quis e o futebol não quis também, mas sempre mostrei o meu futebol em alto nível, jogando em alto nível, porque a camisa que eu estava vestindo merecia que eu voltasse e desse a volta por cima. Isso foi uma das coisas mais lindas da minha vida, foi ter voltado para o São Paulo e dar essa volta por cima, mostrar que eu não era aquele cara que saiu para a Ponte, né? Mas esse Reinaldo que chegou da Chape, chegou mais experiente, mais maduro e com mais fome ainda de fazer o torcedor são-paulino ser feliz. E eu creio que eu consegui, cara, eu consegui. Mostrei para eles a minha qualidade, mostrei que naquela primeira passagem não era o Reinaldo, e sim esse da última, porque eu fiz grandes temporadas no nosso Tricolor.
E hoje você ainda vê comentários na rede social ou nem liga mais para isso?
– Ah, bem pouco, cara. Eu deixo mais para a minha assessoria, eu não olho muito. Eu olho de vez em quando, entro no Instagram do Mirassol para ver os gols, os bastidores, que eu gosto bastante de assistir, depois a resenha. Mas eu não estou muito ligado no Instagram. Eu só olho, acompanho algumas coisas, mas se aparecer alguma crítica ali vai ser a mesma coisa que um elogio. Eu não vou ser melhor e nem pior porque alguém está falando que o Reinaldo é craque ou que o Reinaldo é ruim. Eu acredito no Reinaldo, então…
Mas isso vem muito com a maturidade. Porque pelo que você contou não foi fácil lidar com as críticas no passado, você chegou a duvidar de você mesmo…
– Eu duvidava muito. Até então eu entrava nos jogos com medo de errar. Então eu falava assim: nossa, se eu errar aqui, o Morumbi vai vir aqui no meu ouvido, meu Deus. Aí fui tirando isso da minha cabeça, esquecendo um pouco o extracampo e focando dentro de campo, fazendo o meu futebol. No Grêmio eu aprendi também com o que o Renato Gaúcho falava: “olha, quando alguém falar que você é ruim, não acredita. Mas também se falar que você é craque, não acredita também, não. Fica na sua, faz o seu trabalho.” Eu aprendi muito com o Renato sobre essas coisas.
Fonte: GE
