Olten Ayres destitui Comissão de Ética que recomendou seu afastamento

Olten Ayres, presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, destituiu toda a Comissão de Ética do clube nesta terça-feira. A decisão foi sacramentada num ato administrativo distribuído internamente.

Os membros da Comissão de Ética que deixam seus cargos são: Luiz Augusto Lia Braga, Antônio Maria Patiño Zorz, José Edgard Galvão Machado, Marcelo Felipe Nelli Soares e Milton Jose Neves Junior.

Na semana passada, a Comissão de Ética, num relatório, havia pedido o afastamento preventivo de Olten Ayres enquanto apura possível gestão temerária cometida pelo presidente do Conselho Deliberativo.

A reunião que votaria o possível afastamento de Olten e o parecer emitido pela Comissão de Ética ocorreria nesta noite, mas foi cancelada. A decisão ocorreu após conselheiros protocolarem um pedido de “suscitação de dúvida estatutária e regimental”, questionando a interpretação adotada para a convocação.

Em meio à disputa interna, Olten Ayres se tornou alvo de um inquérito policial que investiga se ele cometeu falsidade ideológica num processo de reforma estatutária, que começou na gestão de Julio Casares, no ano passado.

Em nota, o presidente afirmou que “episódios comprometeram a percepção de isenção” e que a atitude não se trata de “perseguição, revanchismo ou medida de caráter pessoal”. A íntegra da nota oficial emitida por Olten Ayres está abaixo.

Entenda o caso

O pedido de Harry Massis ocorreu após divergências com Olten Ayres envolvendo uma reforma estatutária no clube. Em 17 de dezembro, o então presidente Julio Casares apresentou uma proposta de alteração no estatuto para reduzir a exigência de quórum qualificado em decisões estruturais, como a transformação do clube em SAF, a constituição de empresa e a separação da gestão do futebol do clube social.

Olten Ayres encaminhou a proposta ao Conselho Consultivo e, após aprovação do órgão, enviou o texto para análise da Comissão Legislativa.

A comissão era composta pelos conselheiros Luís Geraldo Sant’Ana Lanfredi, José Alberto Padin Iglesias e Wanderson Martins Rocha. O parecer foi emitido no dia 8 de abril de 2026 e foi contrário à proposta. Segundo o pedido protocolado por Harry Massis, essa decisão deveria encerrar a tramitação do projeto.

No entanto, em meio ao processo, no dia 30 de março, Olten Ayres instituiu uma Comissão de Reforma Estatutária para tratar de mudanças mais amplas no estatuto, com prazo até 15 de maio para apresentação de propostas.

Em contato com a reportagem do ge, o presidente do Conselho Deliberativo afirmou que há prazo de 30 dias para manifestação da Comissão Legislativa e que, por isso, o parecer anterior foi desconsiderado. A proposta em tramitação será analisada por uma nova Comissão Legislativa, com outros membros, formada em 10 de abril.

Já o documento protocolado por Harry Massis sustenta que a medida representa quebra do estatuto, por tratar do mesmo tema anteriormente rejeitado.

Confira a íntegra da nota oficial de Olten Ayres

“O Presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo Futebol Clube, Olten Ayres de Abreu Junior, comunica que, diante dos fatos ocorridos nos últimos meses envolvendo a condução de procedimentos disciplinares e a atuação da atual Comissão de Ética, deliberou pela reestruturação integral da referida comissão.

A decisão decorre da necessidade de preservação da credibilidade institucional, da imparcialidade dos processos internos e da confiança dos Conselheiros e da comunidade são-paulina nos ritos estatutários do Clube.

Ao longo das recentes apurações, verificaram-se episódios que comprometeram a necessária percepção de isenção, inclusive com manifestações públicas, vazamentos seletivos, antecipações de julgamento e conduções incompatíveis com o ambiente de equilíbrio e serenidade que se espera de um órgão dessa natureza.

Não se trata de perseguição, revanchismo ou qualquer medida de caráter pessoal. Trata-se, exclusivamente, de uma decisão administrativa e institucional voltada à reconstrução da confiança, ao restabelecimento da harmonia entre os poderes do Clube e à garantia de que futuras apurações ocorram com absoluto respeito ao devido rito, à ampla defesa e à independência.

O Presidente também reafirma, de forma clara e definitiva, que não será candidato em futuras eleições do São Paulo Futebol Clube. A medida ora adotada não possui qualquer motivação eleitoral ou projeto de poder.

Ao contrário: o cenário criado após o início das discussões sobre a possibilidade de uma reforma estatutária, somado à condução política observada em determinados episódios, acabou impondo à Presidência do Conselho a responsabilidade de agir institucionalmente para impedir o aprofundamento de divisões internas e preservar a legitimidade dos órgãos do Clube.

O São Paulo Futebol Clube precisa de estabilidade, responsabilidade e respeito às suas instituições. E é com esse espírito que as medidas serão conduzidas.”

Fonte: GE